Copa do Mundo 2026: como o evento deve transformar o consumo no varejo brasileiro
A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou
mas os impactos no comportamento do consumidor já começam a aparecer nas pesquisas e projeções do varejo.
Mais do que um evento esportivo, a Copa funciona como um acelerador de consumo, alterando hábitos de compra, ampliando tickets médios e criando novas oportunidades para marcas disputarem espaço no carrinho do consumidor.
Uma pesquisa realizada pelo Méliuz em abril de 2026, reforça esse cenário: 88,4% dos brasileiros pretendem acompanhar os jogos da competição e 72,2% afirmam que costumam assistir às partidas em casa, reunidos com amigos e familiares.
Os dados acompanham uma tendência já observada pelo mercado. Segundo o relatório Predictions 2026, da Ipsos, 71% dos brasileiros pretendem assistir à Copa do Mundo deste ano — acima da média global, de 59%.
O comportamento mostra que a Copa continua sendo uma das principais datas de consumo coletivo do país.
A Copa reorganiza a rotina de compra do consumidor
O impacto no varejo começa antes mesmo do apito inicial.
Estudos do setor mostram que a véspera dos jogos costuma gerar aumento significativo no fluxo de consumidores em loja, impulsionado pela antecipação de compras para evitar deslocamentos durante as partidas.
Nesse período:
- o fluxo em loja pode crescer até 6,7%;
- o ticket médio das categorias relacionadas ao evento sobe cerca de 24,4%;
- há incremento de aproximadamente 280 mil compras adicionais por dia em categorias ligadas à ocasião.
Na prática, a Copa reorganiza a lógica de abastecimento do consumidor.
A pesquisa do Méliuz ajuda a explicar esse comportamento:
32,6% dos consumidores afirmam fazer compras no mesmo dia do jogo, enquanto 30,8% compram ao longo da semana da partida e 21,6% se abastecem um dia antes.
Isso cria múltiplas janelas de oportunidade para marcas e varejistas, desde campanhas de awareness até ativações de conversão imediata.
O consumo da Copa é coletivo
Os dados do Méliuz mostram que o principal ambiente de consumo da Copa continua sendo o doméstico.
Entre os entrevistados:
- 72,2% assistem aos jogos em casa com amigos ou família;
- apenas 20,4% acompanham sozinhos;
- bares, restaurantes e eventos aparecem com participação menor.
Esse comportamento ajuda a explicar por que categorias ligadas à socialização e ao compartilhamento lideram intenção de compra.
Entre os produtos mais citados pelos consumidores estão:
Bebidas
- Refrigerantes (48,8%)
- Cerveja (46,8%)
- Sucos (40,9%)
- Água (37,2%)
- Energéticos (20%)
Snacks e complementos
- Batata chips e salgadinhos (63,4%)
- Pipoca (52,4%)
- Chocolates (31,1%)
Churrasco e proteínas
- Carne para churrasco (82,4%)
- Linguiça (54,5%)
- Pão de alho (53,8%)
- Frios e embutidos (33,2%)
O comportamento observado na pesquisa também conversa com movimentações já percebidas pelo varejo em Copas anteriores.
Durante os jogos da seleção, categorias ligadas ao consumo compartilhado historicamente registram forte crescimento, com destaque para itens como carnes, bebidas alcoólicas, snacks, gelo e produtos voltados ao preparo coletivo.
Além disso, há um avanço consistente de categorias associadas à praticidade e saudabilidade, como bebidas zero álcool, versões reduzidas em açúcar e opções prontas para consumo — reflexo de novos hábitos do consumidor brasileiro.
Cashback deixa de ser benefício e passa a ser critério de decisão
Um dos principais insights da pesquisa está relacionado ao impacto dos incentivos no momento da compra.
Quando perguntados se o cashback poderia fazê-los trocar de marca:
- 28,5% responderam “sim, com facilidade”;
- 52,4% disseram “sim, dependendo do valor oferecido”.
Na prática, isso significa que mais de 80% dos consumidores admitem reconsiderar sua escolha de marca diante de um incentivo financeiro relevante.
O dado mostra uma mudança importante no comportamento do shopper.
A disputa no varejo já não acontece apenas em preço ou exposição em gôndola. Benefícios percebidos no momento da compra passam a funcionar como ferramenta direta de conversão.
A pesquisa também aponta que o cashback é hoje o principal fator de abertura à experimentação:
- 46,4% topariam experimentar uma nova marca por cashback;
- 24,5% seriam impactados por cupons de desconto;
- 14,3% por frete grátis.
Para marcas emergentes, isso representa oportunidade de ganho de share.
Para líderes de categoria, aumenta a necessidade de estratégias mais agressivas de retenção e preferência.
O consumidor já compra orientado por benefício
Outro ponto relevante é o amadurecimento do comportamento de compra orientado por recompensa.
Segundo o levantamento:
- 36,3% afirmam consultar sempre o Méliuz Nota Fiscal antes de decidir compras no mercado ou farmácia;
- 21,7% consultam na maioria das vezes.
O dado sugere que o consumidor não busca apenas economia pontual, ele já incorporou o hábito de pesquisar vantagens antes da decisão de compra.
Oportunidade para o varejo, mas com execução estratégica
O contexto econômico da Copa de 2026 adiciona complexidade ao cenário.
A combinação de inflação mais controlada, renda média em recuperação e juros ainda elevados cria um ambiente ambíguo para o consumo, mas com tendência positiva para categorias ligadas à ocasião.
Além disso, a expectativa de maior concentração de jogos no período noturno reforça o potencial de consumo doméstico e abastecimento antecipado.
Para varejistas e indústrias, isso aumenta a importância de:
abastecimento eficiente;
sortimento alinhado à demanda;
ações de cross-selling;
campanhas orientadas por dados;
incentivos que aumentem conversão no momento da compra.